Governo afirma que R$ 300 milhões em obras de saneamento estão paradas por falta de alvará. Prefeitura diz que só libera após compromisso da Cagece em recapear vias danificadas
Os buracos nas ruas de Fortaleza voltaram a estremecer a relação entre Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado – um ano após a primeira versão da polêmica, que envolve também a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O chefe de gabinete do governador Cid Gomes (PSB), Ivo Gomes, disse que R$ 300 milhões em obras de saneamento básico estão paradas porque a Prefeitura não libera alvarás. O Município confirma, mas culpa a Cagece, que não estaria fazendo o recapeamento adequado após o quebra-quebra nas vias.
“A Prefeitura está querendo exigir da Cagece um serviço que nem ela própria faz, de pavimentação”, disparou Ivo, em entrevista ao portal G1 Ceará. Ao O POVO, na noite de ontem, a prefeita Luizianne Lins (PT) limitou-se a dizer: “Eu tenho de responder à população, não a um deputado”, afirmou, em referência a Ivo, que é integrante licenciado da Assembleia Legislativa.
O coordenador das secretarias regionais da Prefeitura, Cícero Cavalcante, também evitou polemizar. Entretanto, sustentou que a Cagece tem pecado na qualidade do asfalto aplicado após as intervenções nas vias, incluindo as recém-recapeadas.
Por meio da assessoria de imprensa, a Cagece explicou que o impasse na liberação de alvarás diz respeito a obras cujos contratos foram fechados antes de 2007, quando as normas técnicas de recapeamento eram menos exigentes. “Com a vigência da norma atual, a Companhia deve garantir a pavimentação de meio-fio à meio-fio, o que encarece os custos das obras”, explicou o Órgão.
Agora, a Cagece diz estudar formas de realocar recursos para atender às exigências da Prefeitura. É possível que, em alguns casos, parte do dinheiro que deveria ir para o saneamento propriamente dito seja realocado para a recuperação da rua destruída pelo serviço. (colaborou Roberta Arrais)
Nenhum comentário:
Postar um comentário