As turistas retornavam do histórico Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, construído no século 6 no sudeste do sopé do Monte Sinai, em um ônibus que foi abordado por seis homens armados e mascarados, segundo o chefe de segurança no sul da Península do Sinai, Mahmoud Hefnawi.
Os sequestradores viajavam em um veículo 4x4 e interceptaram o ônibus na região de Wadi Firan, no sul do Sinai. Apenas as duas mulheres e seu guia foram retirados do ônibus e levados pelos sequestradores para as montanhas. De acordo com o Itamaraty, havia 45 brasileiros no veículo.
O resto dos turistas está viajando a "um lugar seguro" escoltados por policiais e militares egípcios, segundo o Ministério de Relações Exteriores brasileiro, que ainda não tem informações sobre a identidade ou a idade das sequestradas.
Fontes oficiais egípcias, por sua vez, apresentaram informações conflitantes sobre a idade das vítimas. Uma informação preliminar afirmava que as duas eram adolescentes, mas um policial disse que uma tem 18 anos e a outra 40.
Autoridades locais disseram acreditar que os sequestradores pretendem negociar a libertação das vítimas exigindo que prisioneiros sejam soltos pelo governo. De acordo com uma fonte policial, um dos sequestradores é o pai de um homem condenado por tráfico de drogas e posse de armas. Ele espera obter a libertação do filho em troca das reféns.
Esse é o terceiro sequestro de turistas na região neste ano. Em fevereiro, beduínos sequestraram três turistas sul-coreanos na mesma região, pouco depois de um crime similar contra duas americanas e um guia egípcio, com a exigência de libertação de companheiros detidos. As turistas americanas e o guia foram libertados rapidamente e sem ferimentos, assim como 25 trabalhadores chineses que haviam sido sequestrados em janeiro.
A Península do Sinai, desmilitarizada por causa dos acordos de paz de Camp David entre Israel e Egito (1978), transformou-se em um dos principais polos de atração turística do Egito, graças principalmente ao encantamento de sua costa e a centros históricos religiosos como o mosteiro de Santa Catarina. A pouco habitada região abriga a maioria dos resorts egípcios, ao mesmo tempo que é o local de moradia de grande parte da população beduína pobre.
Desde a revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak ano passado, a região do Sinai se tornou uma área ainda mais violenta, com ataques a delegacias de polícia e explosões frequentes contra oleodutos que levam gás ao vizinho Israel. Beduínos têm atacando postos policiais, bloqueado acesso a cidades e feito reféns para mostrar seu descontentamento com o governo do Cairo e para pressionar pela libertação de prisioneiros.
*Com AFP, BBC, AP, Agência Brasil, EFE e Reuters / Último Segundo
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