
O inusitado marca a disputa por uma herança em uma família de Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba. O dono do patrimônio almejado era um padre. Roldão Gonçalves Rodrigues morreu de infarto em agosto de 2010, aos 59 anos, e deixou propriedades, joias, dinheiro e um carro. Além dos bens materiais, ele ainda teria deixado um filho. É o que afirma o vendedor Fabrício Augusto Nascentes, de 31 anos, que briga na Justiça pelo reconhecimento da paternidade e pela herança do padre. Do outro lado estão quatro irmãos e 36 sobrinhos do religioso, que desconheciam a existência do suposto filho do padre.
A descoberta do herdeiro direto foi revelada dois meses depois da morte do padre. Durante a abertura do inventário - que faz parte da partilha de bens -, Fabrício teria sido informado de que o pai que procurava há mais de 30 anos seria o padre Roldão. Em entrevista à Rede Globo, o vendedor contou que há um ano e meio descobriu a paternidade por meio de um primo. De posse da informação, o vendedor procurou a mãe, que confirmou a versão.
Fabrício procurou pelos tios, que concordaram em fazer um teste de DNA. "Na época, ele (Fabrício) disse que faria tudo junto com a testemunha que escolhêssemos, e isso não aconteceu", contou a prima Evalda das Dores Gonçalves, de 42 anos. De posse do resultado do exame - que deu positivo -, Fabrício reivindicou o patrimônio do pai. "O estranho disso tudo é que ele só manifestou interesse na herança. Em nenhum momento, ele quis saber sobre a história de vida do meu tio. Por que ele não teve interesse de procurá-lo antes?", questiona Evalda.
Segundo a família, a fortuna, calculada em cerca de R$ 1,2 milhão, foi obtida quando o pároco trabalhou como capelão no Exército. Com um salário de cerca de R$ 10 mil, o religioso conquistou um vasto patrimônio, que era administrado em grande maioria por sobrinhos.
A corrida na definição sobre quem deverá ficar com os bens começou depois que a sobrinha Evalda, que mora em uma fazenda (um dos patrimônios do padre), abriu uma centro de recuperação de dependentes químicos. "Esse era o sonho do meu tio. Tornar a fazenda um local de ajuda para quem necessita".
Três processos correm na Justiça: abertura de inventário, reconhecimento de paternidade e validade de um testamento não registrado deixado pelo padre, que dividia os bens entre irmãos e sobrinhos.
Fabrício já teria recebido cerca de 8.000 euros e um carro de uma tia.
Roldão

Padre Roldão Gonçalves Rodrigues morreu de infarto em agosto de 2010, em Patos de Minas. Ele era pároco da Igreja Santo Antônio. Roldão foi capelão do Exército e teria acumulado patrimônio calculado pela família em R$ 1,2 milhão. O vendedor Fabrício Nascentes alega que a fortuna é maior e reivindica na Justiça a parte que lhe cabe como filho do religioso.
OTEMPO
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