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domingo, 25 de março de 2012

OS DESAFIOS E AS RECOMPENSAS de criar filhos com síndrome de Down

Uma menina com síndrome de Down
“Sinto lhe informar, mas seu bebê tem síndrome de Down.” Depois de ouvir essas tristes palavras de um médico, a vida dos pais nunca mais será a mesma. “Foi como se eu estivesse tendo um pesadelo e não conseguisse acordar”, conta um pai chamado Víctor.
MAS também existe um lado positivo. Emily e Barbara, duas mães que criaram filhos com síndrome de Down, descrevem sua experiência como “cheia de vitórias animadoras e decepções arrasadoras, de frustrações e desafios diários, e realizações emocionantes”. — Count Us In—Growing Up With Down Syndrome (Queremos Ser Incluídos: Crescendo com Síndrome de Down).
O que é síndrome de Down (SD)?* Dito de modo simples, a SD é uma deficiência genética sem cura que afeta 1 em cada 730 bebês nos Estados Unidos.# O aprendizado, o desempenho linguístico e a coordenação motora são afetados em graus diferentes, variando de leve a grave. Além disso, crianças com SD se desenvolvem num ritmo mais lento em sentido emocional, social e intelectual.
Até que ponto essa deficiência afeta o aprendizado de uma criança? Jason, portador de SD, explica no livro Count Us In—Growing Up With Down Syndrome, do qual foi coautor: “Para mim, não se trata de uma deficiência. É apenas um empecilho para meu aprendizado, porque leva mais tempo para eu aprender as coisas. Não é tão ruim assim.” Mas cada criança com SD é diferente e tem seus próprios talentos. Algumas são até mesmo capazes de aprender o suficiente para serem membros ativos da sociedade e levar uma vida gratificante.
Não há o que fazer para prevenir essa deficiência genética, nem antes nem durante a gravidez. A SD não é culpa de ninguém. Mas é um grande choque para os pais. O que eles podem fazer para ajudar o filho deficiente e a si mesmos?

Aceitar a realidade

Não é fácil aceitar a realidade da SD. “O choque foi muito grande”, recorda-se uma mãe chamada Lisa. “Depois de ouvir as explicações do pediatra, eu e meu marido choramos. Não sei ao certo se foi por causa de [nossa filha] Jasmine ou por nossa causa. Talvez um pouco dos dois. De qualquer forma, queria muito abraçá-la e lhe dizer que eu sempre a amaria, não importava o que acontecesse.”
Víctor comenta: “Muita coisa passou pela minha cabeça, como pavor e rejeição. Achamos que nada mais seria igual, que as pessoas iriam nos evitar. Para falar a verdade, esses pensamentos eram egoístas, por causa da falta de informação.”
A tristeza e a incerteza costumam desaparecer depois de algum tempo, mas podem ressurgir de repente. “Eu chorava muito por causa da deficiência de [nossa filha] Susana”, conta Elena. “Mas, certa vez, quando tinha 4 anos, ela me disse: ‘Mamãe, não chore mais. Está tudo bem.’ É claro que ela não entendia por que eu estava chorando, mas naquela hora decidi parar de sentir pena de mim mesma e de ficar pensando em coisas negativas. De lá para cá, tento concentrar meus esforços em ajudá-la a se desenvolver o máximo possível.”

Técnicas para melhorar a comunicação

Um menino lendo para sua irmãzinha, que tem síndrome de Down
Seguem algumas sugestões para interagir com portadores de síndrome de Down:
  • Fique face a face com eles, olhando diretamente nos olhos.
  • Fale usando linguagem simples e frases curtas.
  • Além de falar, faça expressões faciais, gestos e sinais.
  • Dê-lhes tempo para entender e responder.
  • Ouça com atenção e peça que repitam as instruções

Como ajudar seu filho

Qual é o segredo para ajudá-lo? “Tudo começa com o amor, o resto é secundário”, sugerem especialistas de uma associação de SD. “Portadores de síndrome de Down são, acima de tudo, pessoas”, comenta a professora Sue Buckley. “[Seu] desenvolvimento . . . é influenciado pela qualidade dos cuidados, da educação e da experiência social que lhes são oferecidos, assim como qualquer outra pessoa.”
Nos últimos 30 anos, observou-se uma grande melhora nas técnicas de aprendizagem para ajudar crianças com SD. Terapeutas aconselham os pais a incluir os filhos deficientes em todas as atividades da família e a ajudá-los por meio de brincadeiras e programas educativos especiais para desenvolver suas habilidades. Esses programas — que devem começar logo após o nascimento — incluem fisioterapia e fonoterapia, além de atenção personalizada e apoio emocional à criança e à família. “Susana sempre fez parte da família”, diz Gonzalo, seu pai. “Nós a incluímos em todas as nossas atividades e a tratamos e disciplinamos do mesmo jeito que fizemos com sua irmã e seu irmão, mas levando em conta as limitações dela.”
O progresso pode ser lento. Bebês com SD talvez demorem de dois a três anos para dizer as primeiras palavras. A frustração por não conseguirem se comunicar pode levá-los a chorar ou ficar irritados. Mas os pais podem ensiná-los algumas “técnicas não verbais”. Por exemplo, talvez usem um método básico de sinais, gestos e outros recursos visuais. Dessa forma, a criança pode expressar necessidades importantes como “beber”, “comer”, “mais”, “acabou” e “dormir”. “Lá em casa ensinávamos a Jasmine dois ou três sinais por semana. O foco sempre foi na diversão e na repetição”, comenta Lisa.
Todo ano, mais crianças com SD vão a uma escola normal e participam em atividades sociais com seus irmãos e amigos. É verdade que aprender é mais difícil para elas, mas estar na escola com outras crianças da mesma idade parece ter ajudado algumas delas a ter mais independência, interagir com outros e se desenvolver intelectualmente.
As diferenças entre as crianças com SD e os colegas da mesma idade ficam mais evidentes com o passar do tempo, em vista de seu desenvolvimento mais lento. Mesmo assim, alguns especialistas aconselham que elas frequentem uma escola comum no ensino médio, desde que os professores e os pais concordem com isso e exista um acompanhamento didático adicional. “A maior vantagem de Yolanda ter frequentado uma escola comum foi sua plena integração”, diz seu pai, Francisco. “Desde o início, ela brincava com outras crianças, e elas aprenderam a tratá-la como qualquer outra criança e a incluí-la em todas as suas atividades.”

Os resultados compensam os sacrifícios

Criar uma criança com SD não é um mar de rosas. Requer muito tempo, esforço e dedicação, bem como paciência e expectativas realistas. “Há muitas coisas envolvidas nos cuidados com Ana”, conta Soledad, sua mãe. “Além de cuidar da casa, você precisa aprender a ser uma mãe paciente, uma enfermeira e uma fisioterapeuta.”
No entanto, muitos afirmam que ter um filho com SD uniu mais a família. Os irmãos da criança se tornam menos egoístas e mais compreensivos e, de modo geral, passam a entender melhor os deficientes. “Nossa paciência foi muito recompensada e, com o tempo, vimos os resultados”, dizem Antonio e María. “Marta, nossa filha mais velha, sempre nos ajudou a cuidar de Sara [com SD] e se interessa de verdade pela irmã. Isso motivou Marta a querer ajudar outras crianças deficientes.”
Rosa, que tem uma irmã mais velha com SD, explica: “Susana alegra muito minha vida e é bem amorosa comigo. Ela também me ajudou a me tornar mais sensível às deficiências dos outros.” Elena, mãe de Susana, acrescenta: “Ela reage bem ao carinho. Quando recebe amor, retribui em dobro.”
Emily e Barbara — as duas mães mencionadas no início do artigo — descobriram que “as pessoas que têm síndrome de Down continuam a amadurecer e a aprender durante toda a vida e a se beneficiar de novas oportunidades e situações”. Yolanda, que tem SD, dá este conselho simples a pais que têm filhos nessa situação: “Amem muito seu filho. Cuidem dele, assim como meus pais cuidaram de mim, e não se esqueçam de ser pacientes.”

Os portadores de síndrome de Down aproveitam a vida? O que eles dizem. . .

Manuel trabalhando
“Eu gosto de trabalhar no meu centro de treinamento porque me sinto útil.” — Manuel, 39 anos
Samuel
“O que eu mais gosto é comer a paella que minha mãe faz e de pregar a Bíblia com meu pai.” — Samuel, 35 anos
Sara na escola
“Gosto de ir à escola porque quero aprender, e meus professores me amam muito.” — Sara, 14 anos

Yolanda
“Não se preocupe, comporte-se e brinque com todo mundo, e aos poucos você vai aprendendo.” — Yolanda, 30 anos
Susana
“Gosto muito de ler, ouvir música e passar tempo com os amigos.” — Susana, 33 anos
Jasmine
“Eu quero crescer. Eu quero viver.” — Jasmine, 7 anos

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Publicado em Despertai! 

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